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Capitalismo de Vigilância: o negócio dos dados pessoais

Antes de mais, e de maneira a melhor contextualizar este tema, é necessário colocar três perguntas:

1. Sempre que realiza uma pesquisa no motor de busca é bombardeado por anúncios?
 
2. Esses anúncios correspondem exatamente àquilo que pretendia, planeava ou desejava comprar?
 
3. Sente que os motores de busca advinham as suas intenções? 

Se respondeu "sim” a todas as questões, talvez lhe importe saber que isto não acontece por acaso. Aliás, o acaso nada tem que ver com isto. Ao invés, o que está por trás destes resultados é uma tendência económica emergente na era digital: -O Capitalismo de Vigilância! 


A origem do Capitalismo de Vigilância 


 
Capitalismo de Vigilância, de acordo com a definição mais popular do conceito, é "uma nova ordem económica que considera a experiência humana como material cru e gratuito para práticas comerciais ocultas de extração, predição e venda”.

Shoshana Zuboff é a mãe do conceito. À académica norte-americana interessou estudar a emergência da era digital em relação ao passado e ao futuro do capitalismo.
Ela foi uma das primeiras mulheres a lecionar na Harvard Business School, em Administração de Empresas, no ano de 1981, e dedicou a sua carreira profissional ao estudo das consequências organizacionais, sociais e individuais da ascensão do digital.

Num artigo intitulado "Big Other: Surveillance Capitalism and the Prospects of an Information Civilization”, Shoshana Zuboff usou, pela primeira vez, o termo "Capitalismo de Vigilância”.
O conceito determina, segundo a autora, a forma dominante de capitalismo na sociedade da informação atual.
Ele circunscreve um conjunto de implicações à privacidade dos dados pessoais dos indivíduos, à sociedade e, claro está, à democracia do século XXI.

No fundo, Shoshana Zuboff descreve o Capitalismo de Vigilância como uma tendência que apresenta as seguintes características:

• Estritamente associada à Era Digital e à Sociedade da Informação; 

• Relativa ao tratamento e venda de dados pessoais;
 
• Com fins lucrativos;
 
•  Produtora de mercados de previsão;
 
• Sustentada pelo estudo comportamental do ser humano


Como ocorre a Vigilância?

 
Este modelo de negócio centra a sua atividade na transformação dos dados pessoais em mercadoria.
 
A produção e recolha destes dados pessoais acontece na internet e, só é possível, através da vigilância das ações que estão a ser executadas por cada acesso à internet. 
Isto é, os comportamentos dos utilizadores são monitorizados, de forma a obter informação relativa às suas preferências e tendências de consumo.

Este tipo de atividade é geralmente exercido por empresas que fornecem serviços gratuitos online e acontece por meio da recolha de dados pessoais.
Aliás, segundo Zuboff, a empresa pioneira no Capitalismo de Vigilância foi (e continua a ser) a Google.
 

O novo petróleo? 

 
Grandes organizações como a Google estudam, através da nossa atividade online, padrões e perfis de consumo. Estamos a falar de simples indicadores que fornecem informação e dados pessoais preciosos, como por exemplo: 

• Os likes colocados nas redes sociais (ajudam a entender preferências gastronómicas, cinematográficas, estilo de vestuário, destinos de viagem de eleição, etc.)
 
•  O histórico de sites visitados (indicam projetos futuros, posições políticas e religiosas, etc.)
 
• Preenchimento de formulários (são fonte de informação pessoal direta como morada, número de telefone, nome completo, etc.)

Todos estes dados pessoais são considerados informação em estado bruto que, posteriormente, é refinada e vendida a empresas dos mais variados setores.
Os dados pessoais de milhões de pessoas, que diariamente utilizam plataformas gratuitas na internet, são utilizados como mercadoria e considerados por muitos como "o novo petróleo”

É importante lembrar que, todas estas informações são, na grande maioria das vezes, fornecidas pelos utilizadores de livre e espontânea vontade.
 
Poucos são aqueles que têm a real perceção daquilo que acontece aos dados pessoais depois de os fornecer sendo, por isso, fundamental estar consciente dos direitos que lhe são assegurados pelo Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) para, assim, saber como garantir a sua proteção.
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